14 de abril de 2021 15h57min - Atualizado em 29 de abril de 2021 às 08h58min

Sou mulher e luto todos os dias por isso: “maior desafio é o machismo estrutural”, diz Defensora Pública Talita Leite Cecconello

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A Associação dos Membros da Defensoria Pública do Estado de Rondônia (Amdepro) divulga mais uma entrevista da campanha “Sou mulher e luto todos os dias por isso”. A ação apresentará série de entrevista com Defensoras Públicas comentando sobre os desafios de ser mulher no Brasil e no ambiente jurídico. A segunda entrevista foi realizada com a Defensora Pública Talita Leite Cecconello.

A Defensora Pública ressalta que as mulheres enfrentam inúmeros desafios no Brasil e no mundo e o maior deles é o machismo estrutural. “Não se trata exclusivamente do que ocorre dentro das residências (violência psicológica, patrimonial, física, etc.), no seio familiar, mas também do machismo velado, consistente na falta de reconhecimento e respeito às mulheres como profissionais, em todas as áreas”, ressalta Talita Cecconello.

Confira a entrevista completa:

– Quais os desafios de ser mulher no Brasil?
As mulheres enfrentam inúmeros desafios no Brasil e no mundo. Acredito que o maior deles seja o machismo estrutural. Não se trata exclusivamente do que ocorre dentro das residências (violência psicológica, patrimonial, física, etc.), no seio familiar, mas também do machismo velado, consistente na falta de reconhecimento e respeito às mulheres como profissionais, em todas as áreas.

Isso porque, sabe-se que, para ocuparem os cargos sempre frequentados por homens, as mulheres precisam, constantemente, comprovar sua competência e, ainda, por vezes na iniciativa privada, aceitar remuneração inferior.

Exerce-se também preconceito em desfavor das profissionais simplesmente por serem mulheres (“mulheres engravidam, mulheres não são firmes, mulheres não sabem gerenciar equipe”). 

Além disso, a grande maioria das mulheres brasileiras ainda precisa lidar com jornadas duplas/triplas, já que, na visão patriarcal, o homem tem a autoridade, mas é ela a responsável pelo cuidado da casa e a educação dos filhos.

– Quais os desafios de ser mulher no mundo jurídico?
Acredito que o maior desafio de ser mulher no mundo jurídico é justamente a falta de reconhecimento e respeito às profissionais, como falado na resposta anterior.

O mundo jurídico é predominantemente masculino, principalmente no âmbito criminal. 

As Juízas de Direito, Promotoras de Justiça, Defensoras Públicas, Advogadas, Delegadas de Polícia e todas as demais servidoras são constantemente desrespeitadas por outros profissionais, por colegas, por assistidos/clientes, ainda que ocupem posição de autoridade.

Na maioria das oportunidades, inclusive, sabe-se que as condutas desrespeitosas não ocorreriam com um homem.

Sou mulher e luto todos os dias por isso
A primeira entrevista foi realizada com a Defensora Pública Luciana Câmara, do Núcleo de Guajará-Mirim da Defensoria Pública do Estado de Rondônia (DPE-RO) – confira aqui.

Fonte da Notícia: Ascom Amdepro